domingo, 6 de julho de 2008

Digite as letras da imagem ao lado

Por que Erasmo Entranha ficava velho rápido demais com o decorrer dos buracos do mundo, ele tratou de tornar-se administrador do próprio veneno que corroia as entranhas beatas que Deus lhe dera na cabeça. Fez um sinal de bênção perfumada contra as casas armadas nas calçadas, que lhe teimavam parecer edificações feitas por uma raça perigosa a armar arapucas de concreto na Terra e seguiu com raiva o misterioso caminho da vida.

Com o necessário ritual da formalidade de dentes amarelos, ele tentou encontrar na correria das ruas sujas de gente suja, uma desculpa que lhe apoiasse como cidadão autorizado. Não conseguiu. Ficou velho e sincero. Mesmo que com ainda vinte anos na carteira. Cuspiu num prato emporcalhado de juros abusivos que lhe deram para comer e levou tapas diversos na cara. Aprendeu a sorrir como sobrevivente, agradecendo, submisso, os roubos que todas as instituições do planeta lhe faziam.

Sua mãe incitava-o a tomar lado nalgum partido político, nalguma religião ou simplesmente e aparecidamente fazer umas caridades. Mas ele olhou para a população de mal-feitores que se benziam com rosários e panfletos e continuava com ódio no coração, prestes a engrossar um milímetro mais o inventário de crueldades que o Homem colecionava: quase ensinou algo sobre a verdade a alguém. Ele foi bom por muito tempo, mas as pessoas só acreditavam em bandeiras, mesmo que (e muitas vezes assim o era) bandeiras fincadas na lama sinalizando alicerce confiável. Então, desacreditado, chorou como música de criança ainda não violada por santos e heróis. As moças apaixonadas, com cachecóis meticulosamente tricotados no pescoço, o olharam como água limpa, sem conteúdo algum que fizesse ao menos uma cor de merda que despertasse o amor. Entranha estava rarefeito, sem gosto e morno demais para um mercado que só aceitava quente ou frio. Então ele ficou vilão, desinteressante, mas vilão, e passou a vender certificados de existência.

domingo, 18 de maio de 2008

Preto e Branco

Rosana dedilhava a poeira do aparador. Sentia que sua pose era apoiada por muletas conceituadas, de cinema de arte (o peso do corpo empunhado numa só perna, a bunda inclinada como uma composição barroca). Quase podia ouvir o som baixo e analógico, chiado e arrogante que os filmes antigos lhe impunham no ouvido, naquelas longas e estáticas cenas de silêncio. Em verdade detestava filmes antigos. Detestava até filmes novos. Detestava quase tudo que existia, alarmante fato. Porém, enchera uma estante com discos de vinil cultuados por pessoas de porte intelectual que conhecia (Rosana não tem amigos) e enchera a casa com fitas de vídeo e "edições de colecionador" de DVDs de todos os filmes antigos que ela imaginou que os amigos do Ivan, intelectualóides e posudos, poderiam aprovar. Na coroa de sua sinceridade, balançava, como jóia agregada, a idéia de que eles também detestavam os filmes antigos que traziam na lapela como medalhas. Ela esperou um longo momento escutando o chiado, então se virou lentamente e quis que num relance sua vida se movesse como na tela larga, arruinando a idéia de sobriedade que o mundo dava a si mesmo, tomando para si uma fala ou gesto idiota e surreal que já estava cansada de ver nos filmes velhos. Ela tirou a cadeira da frente da janela, colocou em frente à lareira e se sentou (Ivan teimava em fazer o contrário). Quando ele chegou, girando a chave do carro no dedo indicador, ela disse:

— Que boa demora você me presta!

— Desculpa, meu amor. Comecei a conversar de cinema com o Doutor Paulo, os minutos passaram que eu não vi — olhou no relógio. — Mas eu estou adiantado! Cheguei mais cedo do que combinamos! — Ele ficou irado. Quis dar uns tabefes na cara dela. No lugar disso pôs as mãos nos bolsos e sentiu com prazer o volume que sua cara jaqueta de couro fez.

Ela ficou angustiada com as arestas de sua vida que de repente lhe saltaram pela sala, como que escapando da porta pela qual o namorado entrara: odiava Ivan, odiava dar pra ele daquele jeito correto que ela estabeleceu no seu livro de dogmas, odiava aquele relógio duro e precioso que ele ostentava, odiava o cheiro de suas roupas. Queria que ele a agarrasse e a fodesse ali no chão. Sentia uma crescente amargura de vida real. Sabia que ele era medíocre. Sabia que as teorias cinematográficas que ele adorava expor não passavam de uma convenção social mecânica e automática da qual todos seus amigos participavam, protestando, concordando e limando sem saber verdadeiramente o que faziam. Quis dizer isso a ele. Quis injuriá-lo. Quis deitar no chão e transar e gozar sem controle. Quis morder seu rosto e tirar um pedaço. Quis urinar no seu púbis. Formou as palavras na mente: "Ivan, gosto é igual cu".

Ele se aproximou do turbilhão passageiro em que ela estava, vendo só a superfície de cosmético, calma e limpa, e quis fazer algo sujo naquela seda. Tocou a ponta de seu seio com as costas da mão, excitando-se. Ela se levantou e o beijou delicadamente no rosto, perfeita, serena.

— Vamos ao shopping então, não ao cinema — ela disse.

Ele concordou sem pestanejar. Ela perdoou a si mesma, refeita.

Num lampejo de autoconhecimento que teve em meio àquele pesadelo de amargura ela acabou entendendo (assim supunha) aquele filme francês dos anos setenta que ele a levara para ver e que a deixara naquele estado intranqüilo. Começou a expor para ele, no elevador, suas primeiras considerações cinematográficas. Talvez fossem ver mesmo aquele filme mais tarde. Estava respirando novamente. Decidiu aliviada que iria trocar o tapete da sala e também comprar mais uma poltrona para colocar na frente da janela — ainda não podia perdoar o cinema.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

...E segue a peleja


Mais do Tio Allan Sieber... é bem por aí...

Um conto pra esquentar

Em tempos de poucas postagens, vai aí um conto meu saído do forno. Não tenho a qualidade técnica da Carol ou do Ivan, muito menos a inventividade do Salvaterra, mas vou arriscar. Um breve conto de Horror pra vcs. Divirtam-se (ou não). Mais tarde tem quarta MeiaEntrada pra garotada.

Aquele que espera por ela

"Não somos, por acaso, as máquinas do prazer de Deus?"
Ray Brabury

Na primeira sala eu era o caco de um espelho cuidadosamente jogado no canto esquerdo. Você era o primeiro reflexo interessante que eu reproduzia e eu me sentia refazendo você. Quando você me viu, viu você e eu te vi de perto, quando de perto você me viu, se aproximando de mim, fazendo eu me aproximar um pouco mais de você. Você me pegou no chão e quando se tocava eu tocava você. Bastava apenas não se ver e ver que como você eu também te via enquanto mostrava você ao contrário. E você se viu exposta, invertida por mim. Creio que em uma questão de segundos, se ver tão exposta e ainda ao contrário pode tornar a admiração em repulsa mesmo que a curiosidade seja grande. Eu, na minha condição de caco de espelho tinha as minhas pontas mal aparadas e te cortei quando você se cortou. Nada mais natural ao me ver sangrar sangrando você se me largar e se afastar, eu me soltando e me afastando de você. A porta estava aberta e em poucos passos você estava na sala seguinte.
Lá eu me fiz um banco concentrado daquela matéria que é conhecida(se não me engano) como madeira e você era alguém com um dedo sangrando. Eu me oferecia gentil para que você se sentasse e talvez pensasse sobre o que realmente te apoiava. Você sentou-se e, com o dedo machucado na boca parecia efetivamente pensar, enquanto eu pensava no que você estaria pensando. Quando seu dedo parou de sangrar você me percebeu, e dessa vez em vez de refletir você, eu era o seu apoio. Você levantou-se e caminhou ao redor da sala, que eu esvaziara cuidadosamente para que nela fosse eu apenas o seu apoio, o banco de madeira. É possível que você não tenha se sentido confortável diante da minha solidez , por isso segui a porta e para a próxima sala.
Lá eu era mofo nas paredes e me espalhava em volta de você silenciosamente, mas não deixando de crescer e te evolver a distância (pelo menos nesta sala). Pela primeira vez você pareceu compreender o que eu era e falou comigo. Infelizmente disse não estar satisfeita , alegando que eu trazia em mim (nessa forma) uma idéia de antiguidade e de abandono ou destruição que não lhe agradava, eu na minha condição de mofo consequentemente devorando o novo que estava naquela sala. Queria te dizer que na verdade trazia a consequência do que é estar vivo, um presente em forma de ensinamento ( me fora ensinado que o presente mais valioso que existe é aquele que pode ser guardado exclusivamente na memória, e o que se guarda lá é que pode ser aprendido e ensinado posteriormente). Mas nada disse, pois na minha condição de mofo nada poderia mesmo dizer. Assim, dessa vez outra novidade: creio que a sua reação era a de irritação, e mesmo sabendo que um sentimento como esse dificilmente poderia derivar em uma forma de atenção positiva, já sabia que você tinha sentido alguma coisa por mim.
Quando a passos largos você se dirigiu a próxima sala, eu me fiz a sombra de lá. Tinha como intuito mostrar a você como a luz é de uma beleza ímpar quando vista através das sombras e como a presença de sombras também afasta a idéia de escuridão, pois as sombras se fazem justamente pela presença de luz. Eu sabia desde quando te refleti da luz que você tinha dentro de você, e como sombra sentia de forma poética (se é que consegui entender de forma completa o significado de uma poesia, das muitas que li) completando-a. Você, ao me ver como sombra demorou um pouco a me reconhecer e quando o fez brincou comigo, iluminando toda a sala, expondo justamente aquela luz que eu sabia que você tinha, sendo apenas você completa, insinuando que a sua luz era tal que poderia eliminar de forma sistemática qualquer sombra que pairasse dúvida sobre isso. Eu então me retirei, para que você fosse unicamente luz, e da sala seguinte pude ouvi-la rir e pular por alguns momentos até adentrar a próxima sala.
Lá eu fui afetado por você de forma diferente. Ao entrar sua luz antes de qualquer coisa me coloriu e eu era todas as cores daquela sala. E eu era tantas e tão vivas ao mesmo tempo que envolvi você, enquanto você se deixava envolver pelo turbilhão multicolor que a cercava. Julguei que o que vi em você naquele momento era o que é denominando de Felicidade e essa sua sensação me dava a capacidade de me multifacetar em cada vez mais cores de forma alternada e cada vez mais rápida, de certo modo talvez até sufocante, mas para mim definitivamente inebriante. O efeito disso em você pra mim foi inesperado, pois aparentemente assustada e com um líquido escorrendo dos olhos (seriam essas as tais “lágrimas” que tanto me causavam curiosidade?) partiu rapidamente para a sala seguinte.
Nesta sala eu me fiz como alguém da sua espécie, um homem cuidadosamente moldado, que a observava como quem observa sua relíquia mais preciosa. Dessa vez vi em você um sentimento que nunca antes havia concebido, mas que provavelmente era o que é definido como desespero. Você me tocou, e eu me senti tão eufórico quanto vi você na sala anterior. Mesmo enquanto você gritava de forma aterradora e, sobre mim me apertava e me tocava em movimentos rápidos e fortes a ponto de começar a desfigurar o que eu havia concebido como um rosto, senti justa e finalmente o que tanto buscava e até cheguei a ter dúvidas sobre a real existência: Prazer. Sim, estou convicto de que o que me percorreu naquele momento e fez eu simplesmente paralizar meus sentidos, com foco apenas no que ocorria em mim era o que é conhecido como prazer. Você, para meu deleite, passou bastante tempo nessa sala, tempo suficiente para destruir toda a minha forma humana. Quando eu estava totalmente deformado e ao mesmo tempo extasiado de um modo inigualável você deixou a sala, com o mesmo semblante de desespero que por ela havia entrado.
Na sala seguinte o que ouvi de você,mesmo tendo um conhecimento respeitável da sua forma de comunicação, foi quase totalmente incompreensível. Pude perceber que você falava muito e entre o que pude distinguir como palavras haviam sons, ora guturais, ora agudíssimos, de alta intensidade e longa duração, que estão além da minha compreensão. Dentre a palavras que entendi, ficou claro que você queria que eu saísse de perto de você, me retirasse da sala e de qualquer outro lugar onde você estivesse (lembro-me claramente da palavra “Prisioneira” e várias inflexões da mesma, mas seu significado é um mistério pra mim). Mesmo você se dirigindo a todos os lugares da sala enquanto falava, tenho dúvidas se você realmente sabia que eu estava lá te observando. Sei que, sedento de poder encontrar mais uma vez o prazer que havia obtido, achei mais prudente obedecer aos seus pedidos o mais rápida e eficientemente possível. Nesta sala afim de que você se sentisse mais tão assustada quanto parecia estar, me fiz todo o ar que a rodeava. Assim nessa condição, me retirei completamente, deixando você só e totalmente livre de qualquer ar, no estado mais silencioso que o vácuo pode proporcionar. Fui para a sala seguinte aguardando a sua chegada, dessa vez sem assumir ou me reagrupar atomicamente de forma nenhuma, sendo como eu sou naturalmente, na minha forma primária.
Há um longo tempo espero você nessa sala, mas parece que você se recusa a sair da sala anterior. Daqui apenas posso ver você deitada de bruços, imóvel desde quando eu me retirei.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Aprendendo com o Tio Allan a parar de fumar

(Cartum do Allan Sieber)

Meu primeiro round tá assim:
Vamos ver como eu me saio nas próximas semanas...



quinta-feira, 24 de abril de 2008

Impressões


Ah viagens! Nada como uma boa viagem para me revigorar dessa selva tecnocrata que é São Paulo. Acabo de voltar do Rio, e a despeito de dengues e assaltos eu simplesmente adoro a cidade. No Rio as coisas são todas um pouco desorganizadas. Ao contrário de São Paulo em que cada tribo freqüenta uma região diferente, os cariocas se misturam e produzem verdadeiras cenas surreais em suas ruas. Reflexo da própria arquitetura da cidade, com construções modernistas e românticas lado a lado. Florestas dividem espaços com shoppings, montes de pedras com casas, produzindo uma sensação de estranheza à quem não é da cidade. Sensação essa agradável, mas não menos impactante. A despeito da miséria ser bem mais visível no Rio (quem tem medo de pobre?) e infelizmente eu não poder sair sozinho sem atrair muita atenção, sou apaixonado pela atmosfera boêmia e desleixada do lugar. Já pensei mesmo em morar por lá, em conviver com o povo carismático e bem mais aberto que os enrustidos paulistas, mas sei que minhas preocupações não se apartariam ao ver a grande desigualdade que assola a cidade. Enfim, prefiro visitar esporadicamente, experimentando sempre a sensação de estranheza que curto nas viagens que faço. Alguns momentos que valeram boa diversão foram o Funk carioca na Lapa (o tal de Fuck Funk), com entrada de R$1,00 (!), assistir a final de campeonato no Maracanã (com desconhecidos se abraçando e dançando crééééééu para a torcida do Fluminense), visitar a favela da Maré, comer a pizza carioca (e sentir saudades de casa), tomar de assalto a cidade de Conservatória (com cerca de 3000 habitantes) e claro, fazer tudo isso com 140 amigos bebendo cachaça Claudionor...

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Quarta MeiaEntrada na Virada Cultural


Seguindo os sábios conselhos da Carol Marossi (que vai ter uma surpresa no Sábado), vou aproveitar pra falar da Virada Cultural, que acontece nesse fim de semana(26 e 27 de Abril) aqui em São Paulo.
Primeira coisa: Todas as capitais do Brasil deviam ter uma Virada dessa, não é tão difícil de fazer quanto parece e os resultados são bem interessantes do ponto de vista de revitalização do centro da cidade. Tendo em vista que a maioria dos centros das nossas capitais estão próximos do estado de degradação que se encontra o centrão paulistano, é algo que deveria ser pensado, sem contar que do ponto de vista governamental (não se essa é a palavra certa) é uma boa forma de incentivar o turismo interno.
Segunda coisa: A exemplo do que será feito esse ano, seria uma ótima idéia convidar também artistas estrangeiros para participar do evento, claro que considerando que você mantenha o espaço para vários artistas da cena independente paulistana participarem em palcos reservados só para eles.
Agora, antes de um breve roteiro dos shows que eu recomendo e que provavelmente irei ver por lá, não poderia deixar de falar de algumas coisas que vão acontecer e que também valem muito a pena, como o show do Luis Melodia as 18h no Teatro Municipal, Arismar De Espírito Santo no palco do piano, Zé Ramalho na São João e as sessões de cinema no Cine Olido coordenadas pelo Carlos Reichenbach, onde o tema será filmes sobre Vampiras, e aqui meu único protesto: Dentre todos os excelentes filme que ele programou, me entristece muito saber que um dos maiores clássicos do gênero, o filme “Rosas de Sangue” de Roger Vadim não estará na programação.

Agora, o meu roteiro:

As 18h na São João a Deusa Caboverdiana Cesária Évora, a Rainha da Morna.

As 21h no Teatro Municipal Egberto Gismonti e Naná Vasconcelos executando o disco “Dança das Cabeças”, um dos maiores clássicos da música instrumental do século XX.

0h, minha única dúvida: Assistir grande promessa da música paulistana Andréia Dias ou ver o que será que o Zé Celso Martinez Corrêa aprontará com um PIANO no palco destinado justamente a esse instrumento?

As 3h Maria Alcina. Ela é só a melhor interprete da música “Fio Maravilha” do Jorge Ben. Isso já é mais do suficiente pra ir ver o show dessa extraordinária cantora.

As 8h Záfrica Brasil. Rap de muita, mas muita, mas muita qualidade.

12:30h tem Vasco Faé no Palco de Blues, grande gaitista que já tocou no Blues Etílicos e que faz um Fusion de ótima qualidade, acompanhado na percussão pelo meu parceiro que é o melhor percussionista do ABC: Fabio “Azeitona” Daros (quebra tudo, Azeitona!!!!!)

As 16:15h, vou de Bocato, o grande trombonista. Promessa de Jaaaaaaaaazz!

As 18h pra encerrar... TETÊ TETERETÊ!!!!! Jorge Ben Jor.

E é isso, boa festa pra todos, a gente se tromba no centrão. Mais informações sobre outros shows( e são muitos), horários e locais
aqui no site da Virada.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Quinze Minutos


Quinze minutos é o ápice do mundo contemporâneo. É o tempo necessário para se comunicar tudo a todos. É o tempo da internet, do blog, do programa de televisão. O ritmo acelerado do videoclipe que permeia nosso modo de ser, de falar, de se expressar, de pensar. Imagens aos montes entorpecem a mente dos jovens, causando alegria, êxtase e cansaço numa rapidez gritante, capaz de levar o ser ao vislumbre do nada. Somos a geração MTV. A geração do falar rápido e sem sentido. Do esboçar comportamentos múltiplos em questão de segundos, sem propósito algum. Cansados apenas em assistir televisão. Não nos surpreendemos com mais nada. Não nos causa estranhamento problemas, crises, misérias, solidão. Cultivamos o tempo do minuto, dando importância à estética, ao plástico acima de qualquer outro conteúdo. Nossa formação acaba aos vinte. Faculdades com três diplomas em dois anos. Broadcast até na hora de comer. Falta. Falta satisfação. A falta se transmuta em quantidade. Beijamos e saímos com muitos; entendemos poucos. Trabalhamos sem sentido algum. Trabalhamos para nós mesmos, sem construir algo duradouro. Sociedade com Q.I. de VJ.